terça-feira, 12 de maio de 2026

THOMAS MANN, A MONTANHA MÁGICA

 

THOMAS MANN, A MONTANHA MÁGICA

 

Introdução

Oitocentas páginas compactas de literatura envolvente. O autor bem nos avisa, logo de entrada, no “Propósito”:

«É com profundidade, rigor e minúcia que a iremos narrar [a história] – pois desde quando é que o prazer ou o tédio despertados por uma história são consequência do espaço ou do tempo que ela nos toma? Sem receio de sermos acusados de excesso de meticulosidade, tendemos antes a acreditar que só a minúcia pode produzir verdadeiro prazer» (p. 12).

E tem razão. Há, n’A Montanha Mágica, rigor, minúcia, desenvolvimentos e deambulações de toda a ordem, personagens que dissertam infatigável e profundamente sobre questões de natureza essencialmente filosófica, estreitamente imbricadas com a psicologia, a sociologia, a religião, a política, sem que isso quebre o interesse do leitor, antes o levando a sujeitar as opiniões emitidas pelos contendores ao crivo da sua própria apreciação e convicções pessoais, o que resulta em enriquecimento.

 

Dois obstinados debatentes

Duas destas personagens, são Lodovico Settembrini e Leo Naphta. Settembrini desenvolve para com os primos Hans Castorp e Joachim Ziemϐen uma relação de amizade alimentada por um discorrer permanente sobre a condição humana e a lenta caminhada do homem para um estádio superior, impulsionado por ideais de conhecimento, de solidariedade e de progressivo abandono “das trevas, do temor e do ódio” (p. 180), passando necessariamente por movimentações sociais violentas:

«um dia viria em que todos os homens iriam comparar aqueles três dias de Paris [Revolução anti-absolutista de Julho de 1830] aos seis dias da criação do mundo» (p. 180),

dizia Settembrini, recordando o avô. E isto porque o humanismo

«não era outra coisa senão amor pelo próximo e, por conseguinte, era também política, era também revolta contra tudo o que manchava ou degradava a ideia do humano» (p. 182).

Mais para a frente, o humanista revela a Hans Castorp a sua ligação à Liga Internacional para a Organização do Progresso, que

«promove a fundação de universidades populares, a superação da luta de classes mediante todas as reformas sociais que possam contribuir para esse fim, bem como a abolição das lutas entre os povos, a supressão da guerra por meio do desenvolvimento do direito internacional» (p. 278).

O antagonista de Settembrini é Naphta, o jesuíta que, a dada altura, em aceso debate, lhe diz (e este excerto não passa de um exemplo menor, anedótico até, da gama de assuntos de natureza filosófica, ontológica, religiosa, sociológica, pedagógica dos debates entre estas personagens):

«[…] a acreditar nos sinais que nos chegam, podemos dizer que está iminente uma reabilitação da Escolástica, se é que não se encontra já em pleno curso. Copérnico será derrotado por Ptolomeu. A resistência espiritual à teoria heliocêntrica é cada vez mais intensa e esses esforços serão provavelmente levados a bom termo. A ciência acabará por sentir a compulsão filosófica de voltar a investir a Terra de todas as honras e da dignidade que o dogma religioso lhe acautelava».

Settembrini reage:

«Mas de que forma? Como? Resistência? Compulsão filosófica? Levar a bom termo? Mas de que tipo de voluntarismo é que está a falar? E a investigação incondicional? O conhecimento puro? E a verdade, caro senhor, que anda de mãos dadas com a liberdade, e cujos mártires, longe de ofenderem a Terra, como o senhor acredita, contribuem, sim, para a glória eterna deste planeta?» (p. 446).

E Naphta, retorquindo:

«Caro amigo, o conhecimento puro não existe. É absolutamente incontestável a legitimidade da concepção religiosa da ciência que se encontra resumida na máxima de Santo Agostinho. “Creio para que possa conhecer.” A fé é o órgão do conhecimento e o intelecto é secundário. […]» (p. 447)

Ora, esta mesma personagem que defende a superioridade da fé sobre a ciência, pouco tempo e poucas páginas depois, verbera severamente o “liberalismo manchesteriano” de Settembrini, com uma catilinária estribada nos patriarcas da Igreja, a quem Naphta atribui uma teoria sociológica próxima do socialismo utópico de Proudhon, do marxismo e do anarquismo:

«Os patriarcas da Igreja chamaram aos possessivos “meu” e “teu” palavras corruptas e à propriedade privada usurpação e roubo» (p. 453).

O rol de características e actividades próprias do sistema capitalista (a propriedade privada dos meios de produção, o comércio, a actividade financeira, as leis do mercado, a usura, etc.) que Naphta enumera e verbera longamente desemboca na afirmação de que

«depois de terem passado séculos soterrados, todos estes princípios e critérios económicos [dos patriarcas da Igreja] voltam a emergir no movimento moderno do comunismo» (p. 453).

Indo mais longe, associa a teocracia e os princípios cristãos à ditadura do proletariado, cuja missão consiste na

«salvação do mundo, em prol da redenção do homem e da sua relação filial com Deus, sem Estado e sem classes sociais» (p. 454).

Noutra ocasião, Naphta dá uma “verdadeira lição” a Hans Castorp sobre a história da maçonaria:

«fazer remontar as origens da maçonaria às respeitáveis corporações de pedreiros mais não é do que uma leitura superficial da história. Pelo menos a Estrita Observância conferiu-lhe fundamentos humanos muito mais profundos […] é de assinalar o culto do sepulcro e do esquife […]. Trata-se, em ambos os casos, de um simbolismo das coisas últimas e extremas, de elementos de uma religiosidade ancestral e orgiástica, sacrifícios nocturnos e arrebatados em honra da morte e do devir, da metamorfose e da ressurreição…».

Perante uma caracterização algo assustadora, Hans Castorp inquire:

«Mas o que me diz, professor Naphta? E a tudo isso se dá o nome de maçonaria? E a tudo isso deverei associar na minha mente a figura do nosso iluminado senhor Settembrini?» (p. 578).

E Naphta:

«Não […]! A maçonaria humanizou-se, modernizou-se, santo Deus! Voltou ao bom caminho, reganhou o seu norte, rumo ao utilitarismo […] …»

Porém, depois da alusão à erudição e posses que a maçonaria preza e que caracterizam a burguesia que a integra, mais uma farpa a Settembrini:

«Não devemos de maneira alguma duvidar de que as Lojas dominam o jogo de interesses do mundo e que o nosso simpático senhor Settembrini representa mais do que a sua própria pessoa, já que por detrás dele se escondem forças das quais é ele sectário e emissário…» (p. 579)

 

Outras personagens; pintura e corpo humano

Todavia, noutros contextos, o conteúdo das conversas muda drasticamente. É o que acontece, por exemplo, nos diálogos entre Hans Castorp e o conselheiro Behrens, médico responsável pelos cuidados de saúde do sanatório. É então que, do domínio das ciências mais ou menos especulativas, se passa para o da ciência experimental – química orgânica, entre outras.

Em ocasião em que Castorp e o primo se encontram nos aposentos do médico, a seu convite, compara-se escultura e pintura, em função da “expressão humanística” de cada uma delas. Behrens, que cultiva a arte de pintar, mostra-lhes o retrato de Clawdia Chauchat, jovem mulher que suscita o interesse apaixonado de Castorp, e este interroga:

«Podemos, então, dizer que a plasticidade do corpo feminino se reduz a gordura?».

Behrens responde:

«Gordura, nem mais! […] Palmitina, estearina, oleína […] Com o seu corpo passa-se, de resto, o mesmo […]. Também as suas formas plásticas, na medida em que podemos falar delas, são gordura, ainda que numa proporção mais reduzida do que no corpo feminino.» (pp. 296-297).

Mais à frente, o médico expõe a semelhança ontogénica entre o sistema nervoso central e a epiderme, bem como a composição do corpo humano, que

«consiste, na sua maior parte, em água […] A substância seca perfaz apenas vinte e cinco por cento, dos quais vinte por cento são mera clara de ovo, ou proteínas, se preferir um termo mais elegante, a que se junta uma pitada de gordura e de sal, nada mais».

E, perante a curiosidade de Castorp, Behrens explica o que é “a clara de ovo”:

«carbono, hidrogénio, azoto, oxigénio, enxofre. Fósforo, por vezes. […] Algumas proteínas surgem, por sua vez, combinadas com hidratos de carbono, ou seja, com glucose e amido» (p. 301).

E a vida?

«A vida é, na sua essência, uma mera combustão das proteínas celulares» (p. 302).

Como se vê, está-se aqui bem longe das considerações de Settembrini sobre a vida e o papel do cidadão no avanço civilizacional, mas, em contrapartida, fica-se ciente de que, sem proteínas, não há civilização que nos valha. O romance conjuga sabiamente os domínios da reflexão pura, do conhecimento científico e do comportamento humano, “com profundidade, rigor e minúcia”.

O tempo e o processo narrativo

A temática do tempo, não apenas do tempo que o romance “nos toma”, como já referido, está presente em numerosos passos, insinuando-se quase como obsessão no decurso da narrativa. Trata-se, em geral, da discrepância entre o tempo “objectivo” – o do relógio – e a percepção subjectiva que dele temos, consoante a situação que vivemos, com a dificuldade de a sua mensuração escapar aos nossos sentidos:

«Tomamos consciência do espaço através dos nossos sentidos, da visão e do tacto. Muito bem. Mas que órgão nos permite a percepção do tempo?» (p. 82), «O que designamos por tédio é, portanto, uma abreviação doentia do tempo decorrente da monotonia: a uniformidade constante produz a redução atroz e assustadora dos longos períodos de tempo. Quando um dia se assemelha a todos os outros, todos os outros se assemelham a esse dia.» (p. 123). «Ninguém disse nada durante uns dois ou três minutos, o que nos leva a perceber a dimensão que essas ínfimas unidades podem assumir em certas circunstâncias» (p. 688)

Mas o tempo que o romance “nos toma”, sendo muito, é também um tempo que tende a aproximar as personagens – seres de papel – das pessoas que vemos, que conhecemos, com quem falamos e por quem nutrimos os mais diversos sentimentos. Isto é, A Montanha Mágica, como acontece com muitos outros grandes romances, transpõe a barreira da ficção para nos colocar, durante o tempo de leitura, e mesmo além dele, num contacto quase físico com as suas personagens. Poder-se-ia falar aqui de tempo mítico, um tempo que retira o leitor da escala ou do enquadramento temporal em que ele se move no seu dia-a-dia e o põe num outro plano, integrável no conceito de mitologia degradada (Mircea Eliade).

A descrição das personagens e dos ambientes obedece sempre ao critério do “rigor e minúcia”: nada escapa ao escalpelo do narrador, sem provocar enfado, já que a multiplicidade de pormenores faz do cenário um aparatoso quadro multicolor e contribui fortemente para a caracterização do espaço físico e social do sanatório em que se desenrola a acção – o Berghof.

Uma dessas personagens, Clawdia Chauchat desaparece inexplicavelmente, quando o leitor contava com um desenvolvimento romântico da sua relação com Hans Castorp. Porquê? Boa pergunta. Talvez porque, para o narrador (ou para o autor, vá-se lá saber!),

«a paixão deixa tão pouca margem para o juízo estético como para o moral» (p. 274),

mesmo se

«a arte é ética na medida em que desperta» (p. 135).

Ora, o tal desenvolvimento cumpriria, sem dúvida, o desiderato de despertar.

O discurso em que o narrador assume abertamente o seu estatuto e discorre sobre a sua acção, em diálogo com o leitor virtual, é outra das características do processo narrativo. A atitude dialogante do narrador aproxima-o, naturalmente, do leitor, que tende a sentir-se mais uma personagem, ainda que limitada ao papel de observador e, eventualmente, juiz ou, pelo menos, crítico.

Acontece que o narrador usa de fina ironia para fingir que determinada descrição se deve à habilidade de uma personagem e não dele mesmo:

«Delegámos no jovem Hans Castorp a função de esboçar uma imagem aproximada deste novo e inopinado hóspede (Mynheer Peeperkorn) e há que dizer que ele não se desenvencilhou nada mal dessa tarefa – nós próprios não teríamos feito muito melhor» (p. 622)

Em outra ocasião, é a diferente percepção que instâncias narrativas diversas têm do significado de determinado termo – na ocorrência, um advérbio de tempo:

«Se quiséssemos localizar Hans Castorp no meio daquela animação, encontrá-lo-íamos na sala de leitura, justamente na mesma sala em que outrora (este outrora tem contornos difusos, já que tanto narrador, como herói e leitor não conseguem já definir o seu grau de distância temporal) […]» (p. 630).

Acontece ainda que o narrador assume, com aparente humildade, alguma incapacidade:

«Teríamos sérias dificuldades em explicar por que razão Hans Castorp, que até nutria uma particular paixão secreta por cataratas, não se lembrara ainda de visitar a cascata pitoresca situada na floresta do vale de Flüela» (p. 696).

Ou  confidencia algo sobre o fim do seu labor narrativo:

«Também esta história chegará um dia ao seu termo. Já dura há muito tempo […]» (p. 710).

Ou ainda exprime uma hipotética opinião do leitor:

«Dir-se-á, porventura que o narrador exagera nos contornos românticos da sua narrativa […]» (p. 713).

Frequentemente, a profundidade, rigor e minúcia com que palavras, personagens, atitudes, comportamentos, paisagens e fenómenos atmosféricos são escalpelizados diluem a narração num banho reflexivo-descritivo que, por assim dizer, secundariza a acção, pelo menos se a entendermos numa acepção excessivamente convencional, de movimento das personagens. As mais das vezes, o que se passa passa-se na dialéctica argumentativa, no combate verbal, na apreciação dos ambientes e dos caracteres, na descrição das personagens e dos ambientes.

 

Um final infeliz

Uma das personagens da narrativa, Clawdia Chauchat, que inspira em Castorp uma paixão arrebatada, desaparece inexplicavelmente, quando o leitor contava com um desenvolvimento romântico da sua relação com Hans Castorp. Porquê? Boa pergunta. Talvez porque, para o narrador (ou para o autor, vá-se lá saber!),

«a paixão deixa tão pouca margem para o juízo estético como para o moral» (p. 274),

mesmo se

«a arte é ética na medida em que desperta» (p. 135).

Ora, o tal desenvolvimento cumpriria, sem dúvida, o desiderato de despertar. Todavia, há que reconhecê-lo, a narrativa chega ao fim com o começo da I Guerra Mundial e Hans Castorp é incorporado, o que parece deixar “a questão em aberto”. É assim mesmo que o narrador conclui, referindo-se ao recém-incorporado Hans Castorp:

«Momentos houve em que da morte e da luxúria carnal viste germinar, no teu reino premonitório, um sonho de amor. Será que deste festim universal da morte, deste ardor perverso e febril, que incendeia o céu chuvoso e crepuscular, poderá também um dia nascer o amor?» (p. 816).

Estávamos no início da I Guerra. Mann faleceu em 1955, aos 80 anos de idade e ao fim de vinte e dois anos de exílio, devido à ascensão e chegada ao poder de Hitler. Conheceu, portanto, a II Guerra Mundial e o seu “festim universal de morte”, que prossegue, nos nossos dias, com designações e geografias diversas, mas não menor perversidade. Para acabar com um voto piedoso, seria tão bom que a grande literatura, de que este romance é um extraordinário exemplo, assim como as artes e as ciências, em geral, ocupassem nos corações e nas mentes do homem o lugar que continua a ocupar o “ardor perverso e febril” da ganância, do egoísmo e do ódio!

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Portugal viveu Ano e meio em Democracia (De 25 Abril 1974 a 25 Novembro 1975)

 

Lembrando passos da História que HOJE, desde Novembro de 1975, o Poder em Portugal tenta apagar, deve ler-se:

 OTELO — o fantasma da Revolução Carlos Matos Gomes

A questão que queremos sublinhar, do texto referido de Carlos Matos Gomes:

"O poder assenta sempre na força. Na ponta das espingardas, na frase de Mao Tse Tung, ou na que o rei Luís XIV de França mandou inscrever na boca dos canhões ultima ratio regum, “a força é o último argumento dos reis”.Otelo fez do Comando Operacional do Continente, das forças armadas portuguesas, a força do povo..."

A força do Povo (sublinhada por Vasco Gonçalves) estava no MFA (COPCON). Essa força foi destruída em 25 de Novembro de 1975, uma destruição bem preparada por Carluci (CIA, embaixador dos USA) em colaboração com Mário Soares e outros, com um Puppet na liderança militar, que veio a ser Presidente da República..., o eleito Ramalho Eanes.

O Golpe de Estado de 25 de Novembro de 1975, preparado a partir 11 de Março, veio a servir de Modelo, para a actuação da CIA (USA), para muito outros Golpes em vários países do Mundo, com algumas modificações transformou-se nas "revoluções coloridas", depois nos Golpes preparados a partir de Acções e Intervenção do Poder Judicial... De preferência depois de colocados como Vice-Presidentes os Puppets requeridos para o Golpe, ou depois de preparados Puppets e os protestos, numa bem extensa campanha de propaganda e manipulação dos Média conduzindo as Populações para um vencedor numa preparada eleição. 

Esta última forma de actuação da CIA para um Golpe, é agora a forma mais corrente. Aplica-se pela destituição dos Orgãos de Poder em exercício, por meio de pressão dos Povos, ou pelo controlo de algum Puppet dentro do Poder instituído (bem sucedido em Portugal, 2024), por campanhas de intervenção sistemática dos Média (de referência), e por manipulação de pequenos grupos de agitadores pagos e organizados por diversas ONG de carácter "verde", "anti-poluição", "direitos LGBT...QIA++", "religiosas" , etc., e, quando requerida a força, o "ISIS" ou outra 'preparada organização' governamental ou não... É ao que se assiste, no cerco ao Brasil (Peru, Equador e Argentina), no cerco à Russia, com tentativas na Georgia, Arménia (onde o canadiano no Poder ainda resiste), Moldávia, etc., e no cerco à China...

Preocupante para o Brasil (e à África) é a tentativa de envolver Cabo-Verde e outras ex-colónias de Portugal, no instrumento militar dos USA (NATO) para estender o cerco ao Brasil. Despois das tentativas de Blinken, e do Golpe (2024) em Portugal, o PM português, nomeado pelo Puppet (MRS), recebeu ordens para se dirigir com urgência a Cabo-Verde para insistir na questão de abrir o território aos USA-NATO. Desconhece-se ainda se Cabo-Verde cedeu às imposições coloniais, se se submeteu ao Império da Mentira ou não.

 25 de Abril... Sempre!

Noémio Ramos


domingo, 7 de abril de 2024

a SMO, Guerra na Europa


O que afirmamos está presente no Pensamento de grande parte da Sociedade em que vivemos, o nosso trabalho individual constitui uma recolha, de certa maneira agrupada (composta), da forma como entendemos o Mundo que percepcionamos, assimilamos e acomodamos.

A leitura deste artigo não dispensa a leitura de: Situação de guerra na Europa: USA-NATO-Ucrânia

Qualquer país deve ter presente o percurso da História (sociológica, política, económica, cultural, científica, tecnológica, etc.), deve observar e considerar os países condutores na vanguarda do processo-histórico que se desenvolve no Planeta nas últimas gerações, todo o desenvolvimento social e humano.

Numa Europa governada por desmiolados e corruptos, fantoches ou idiotas, os povos não se apercebem do que acontece à sua volta, pois as suas cabeças ocas absorvem avidamente a desinformação programada através dos Média para criar o Medo, o medo de uma guerra contra um apontado inimigo, um Invasor.

Após a WW2 foi retomado e desenvolvido o mesmo objectivo a combater (a USSR), o Inimigo imaginário (alterado sempre que conveniente, agora a Russia, depois a China ) - um dito Invasor, ou Invasor potencial, - que foi alimentado e renovado pela actualização dos conflitos em curso em cada momento, mantido pela potência hegemónica, pelos USA, país que se fez detentor da Moeda de intercâmbio internacional (pela sua simples impressão permanente), controlador dos Negócios internacionais, Troca ou Venda de qualquer Produto, portanto também do Armamento, e dos fabulosos (em todos os sentidos da palavra) Média e 'Sistemas de Controlo de Informação' (controlo inteligência=espionagem), construindo com os recursos assim obtidos, o Império da Mentira, capaz de apoiar, manter ou incentivar Guerras Permanentes entre e com todos os Povos que tentam escapar ao seu domínio, seja por si, na NATO, com ou pela NATO. Evidentemente que há Povos que, como o Ser Humano, prezam a sua Liberdade e não podem aceitar uma tal sitiuação internacional.
Para manter a hegemonia o Inimigo-imaginário tornou-se essencial, fundamental para perpectuar a supremacia do Império que o inventou pelas fábulas criadas e renovadas a cada instante através dos Sistemas Média e Controlo da Informação, domínio Cultural e pensamento único.

Podemos avaliar uma Aliança com o Sumo (hegemonia, supremacia) pela Psicologia de Grupo, ou de modo muito semelhante, tal como o funcionamento de uma matilha. O canil ansioso de caçar com o seu (Sumo) dono ou pelo seu dono. Os mais frágeis caniche são os que mais ladram, que mais veneram e cegamente seguem o seu dono, até contra os seus parceiros mais fortes quando estes pretendem dominar os seus pares no canil. Se o Sumo afirma que o 'Caniche' é cão maior e mais forte que um 'Pit bull', com o replicar desta afirmação no canil, toda a matilha logo o passa a reconhecer como Verdade Absoluta, contra tudo e contra todos, mesmo perante os de fora do canil: esta conclusão faz parte da Psicologia de Grupo. Isto é essencial para se compreender o comportamento dos Estados que compõem a NATO como daqueles que se lhe pretendem aliar. Dizendo Estados queremos dizer sobretudo os seus governantes, mas também os Povos que representam, pois estes são os que os suportam (e alguns os escolheram entre os seus pares), porque foram dominados pelas fábulas criadas e renovadas a cada instante.

Os povos

Os Povos europeus encontram-se imbecilizados pela (in)formação cultural em formatação constante, pensamento único, levada a cabo pelos Média, 'Sistemas de Informação', sobretudo pelas Academias e por Sistemas de Ensino conformados pelo Poder Imperial, a partir dos quais o esvaziar das cabeças imposto por uma "escolástica académica baseada na vassalagem" e dominada por hierarquias de citações (ainda a psicologia..., do Grupo ao qual se pretende 'ascender' ou nele ascender), e, por uma Cultura reles proveniente e apresentada como Supra-Sumo do mais Iluminado dos Impérios de todos os tempos: produtos sempre dominantes nos Média e nos Sistemas de Informação controlados e diversificados na ocupação do lazer, como também na aprendizagem e ocupação lúdica dos jovens, sabiamente distribuída pelos vários níveis etários. Não devemos esquecer que nas 'democracias', como as dos países europeus, os Povos votam nos seus pares. Todavia, na União Europeia os seus governantes nem são eleitos, são apenas seleccionados e nomeados pelas elites: na Europa vivemos numa Auto-aristrocracia oligárquica. Portanto, nestes termos, os Povos europeus encontram-se bem preparados para servirem as forças armadas, numa mobilização total, 'serviço militar obrigatório' como 'carne para canhão'.

As elites

Nesta parte da Europa, submissa através da NATO, todos os níveis de académicos (até e além do doutorado, agora 'cristalizado no ChatGPT' e semelhantes formas ditas de IA) foram reduzidos ao "patamar pedagógico da Educação de Infância": jogos de infantis, ditos de criatividade e do brotar do 'saber-a aprendizagem'; metodologias de pseudo-investigação, "centros de ciência viva"; passeios como visitas congressos, 'workshops', 'residências', etc..
Os Países mais submissos, e até as suas 'empresas públicas' e Fundações, há vários anos que 'investem'..., financiam com dezenas (senão centenas no total: Harvard, MIT, etc.) de milhões de euros anuais as Universidades dos USA para 'formação (formatação)' de doutores (PhD), que serão, logo à chegada ao país, quadros académicos e políticos: uma forma de dizer 'compram doutoramentos para os doutorandos seleccionados pelos Partidos políticos. Claro que essas universidades atribuem os títulos académicos requeridos, quaisquer que sejam os resultados da 'formação'..., não se arriscam a perder os milhões de financiamento oferecido pelos parolos.
De um modo geral (muito raras excepções), em termos académicos, técnicos, tecnológico-insdustrial, os 'formatados' PhD (in USA) são absolutas nulidades que nunca conseguiram realizar nada que se possa ver ou dar conta, mas ocupam os postos de decisão chave do país, políticos e académicos, até mesmo na Investigação, onde podem tomar decisões politicamente importantes para aqueles que os promoveram (tanto mais verdadeiro na economia, na computação ou na informática, ou em qualquer tecnologia industrial). Cortando assim um franco desenvolvimento do país, pois os que ocupam os postos de decisão chave impedem aqueles mais capazes de progredirem no desenvolvimento do Conhecimento e das Tecnologias, do Saber-Fazer.
De modo inteiramente semelhante ao exposto os Quadros Superiores das forças armadas dos países da NATO, formatados pela formação obtida nos USA-NATO obtiveram as suas graduações em plena conformidade, alguns mesmo condecorados pelas intervenções militares desenvolvidas..., e não merece a pena desenvolver mais sobre a especificidade da questão. Portanto, as elites europeias estão 'formatadas' em conformidade e nos termos da USA-NATO, assim também os Quadros Superiores das suas forças armadas estão, na sua conformidade, 'perfeitamente "preparados"' para participar numa Guerra como fieis servidores da sua Causa.

...e a Questão militar

Qualquer Ser, minimamente inteligente, avalia as acções de um adversário em conformidade com o que Ele próprio faria. Assim, a Russia avançou com as suas forças armadas para uma ajuda efectiva aos Povos seus irmãos no território governado pelo regime da Ucrânia (Kiev), quando, e só quando, se considerou efectivamente capacitada para dominar por completo, sem necessidade de recorrer ao armamento nuclear (a sua defesa última), mas em quaisquer condições e circunstâncias, as poderosas forças armadas dos USA-NATO, as quais vinham avançando rapidamente (e brutalmente, Yugoslávia, agora Donestsk, Lugansk) para leste até atingir as suas próprias fronteiras.
Não foi possível à Russia defender os Estados seus irmãos em 1999, quando da intervenção da NATO na Yugoslávia, porque não se considerava então em condições de o fazer. Nem no armamento, nem na logística, nem na economia. Havia que preparar o país para se defender dos USA-NATO, sabendo que o Mar Negro e a Crimeia seriam dos primeiros objectivos da NATO para desfazer a Russia em pequenos territórios (ditos independentes) mais fáceis de dominar, num confronto programado pelos USA-NATO desde o colapso da USSR. Neste sentido, a Ucrânia apresentava-se como o aliado fundamental para o avanço progressivo da NATO, já antes e ainda mais depois de goradas as tentativas manipuladas pelos USA no leste do Mar Negro: na Chechenia (1994/96) - 99/2000, e depois na Geórgia (2008), esta última crise muito mais depressa resolvida devido à mudança de direcção política na Russia. De facto, ainda antes das forças do regime de Kiev avançarem para a guerra em (17, 20, 23) Fevereiro de 2022, os USA-NATO desencadeou intervenções 'políticas' fomentando e incitando 'revoltas' e 'revoluções coloridas' na Bielorussia (após as eleições) e depois no Cazaquistão.
Referindo apenas os avanços USA-NATO na Europa, a Ucrânia foi transformada num Laboratório de doutrinação nacionalista, recuperada a ideologia Nazi, através de ONGs e instalação das agências dos UK-USA preparando as mentalidades e os grupos necessários ao Golpe de Estado (Maidan) desenvolvido pelas agências dos USA (John McCain, Victoria Nuland, etc.), entre Novembro de 2013 e concluído o Golpe em (20-24) Fevereito de 2014. Era evidente que os Povos russos do leste e da Crimeia não iriam aceitar os golpistas. A Russia percebeu a manobra dos USA-NATO com o Golpe, e conhecendo que o principal objectivo dos USA era dominar a Crimeia e o Mar Negro, de imediato apoiou o Povo da Crimeia na sua inciativa de independência, o que veio a acontecer em Março de 2024. A Crimeia tomou uma decisão soberana, de Autonomia (em conformidade com a Carta da ONU, Direito Internacional), um Povo pertencente a um território, um território que é o seu.
Outros Povos russos do leste do território (da manta de retalhos conhecida por Ucrânia, que foi criada com o colapso da USSR), foram capazes de se organizar e declarar a sua indepedência do regime imposto pelos USA-NATO (Nuland) em Kiev: Donetsk e Lugansk, sendo que noutras regiões do leste também de Povos russos, o regime Nazi de Kiev conseguiu reprimir as manifestações de protesto contra o Golpe, e em Odessa, com massacre e destruição.
Contra os Povos das regiões que declararam independência, Kiev lançou uma guerra com o apoio dos USA-NATO, enqunato a NATO instala os seus campos de treino e fortificações em todo o território dominado pelas forças de Kiev, desde a fronteira com a Polónia, Karkov e Odessa, até ao Mar Negro. Parte da História destas 'preparações' (como em Yavoriv), embora muitas referências tenham sido apagadas (Zhytomyr, Ochakiv, etc.), ainda podemos encontrar no Sítio U.S. European Command, e https://www.eucom.mil/topic/ukraine  .
E no Sítio da NATO, para Conhecer a intervenção na guerra actual dos USA-NATO, procurar por Ucrania em, https://www.nato.int/

Em Novembro/Dezembro de 2021 a Russia avança com a proposta de uma solução negociada, diplomática, apresentando aos USA-NATO a sua proposta de resolução do problema sobre o não cumprimento dos acordos de Minsk, com a discussão negociada entre as principais Potências envolvidas (USA-NATO, Russia) de um acordo de Segurança Mutua Universal, recebendo respostas negativas quanto a estabelecer qualquer negociação.

Em 4 de Fevereiro de 2022, em Pequim, a Russia e a China assinam o Documento que irá decidir o desenvolvimento futuro próximo da Humanidade, nas Relações Internacionais: "Joint Statement of the Russian Federation and the People’s Republic of China on the International Relations Entering a New Era and the Global Sustainable Development" (http://en.kremlin.ru/supplement/5770?s=08). Este Documento marca a data e define os principais intervenientes e Instituições internacionais envolvidas na mudança Política do relacionamento entre os países do Planeta, elementos essenciais da Estadística para um Mundo Multipolar.

Entre 17 e 20 de Fevereiro de 2022 a Russia assiste aos preparativos para o avanço das forças nazis de Kiev - com os bombardeamentos em aumento progressivo - para um preparado genecídio (como veio a suceder em Gaza pelas forças USA-Israel, Palestina em 2023) das populações de Donetsk e Lugansk, imediatamente a Russia tomou as medidas necessárias para pôr termo à situação de guerra na Ucrânia que durava desde 2014, sabendo que o objectivo principal dos USA-NATO, desde o inicio do avanço da NATO para leste, seria ocupar a Crimeia, como preparação para dominar o Mar Negro e avançar para desfazer a Russia.
Em 24 de Fevereiro de 2022, a Russia adiantou-se à acção planeada pelos USA, as forças armadas russas avançaram em apoio das novas Repúblicas reconhecidas pela Russia dias antes. Esta acção da Russia, muito antes de ter sucedido, já estava apelidada pelos USA-NATO por 'Invasão', mas constituiu apenas uma antecipação à intervenção das forças dos USA que, haviam preparado pelos Média a 'formação' uma 'opinião pública' internacional para uma 'resposta' da força aérea dos USA a essa 'invasão' russa. Várias agencias internacionais de Marketing tinham preparado a PsycOp que estava em curso desde os finais do ano de 2021, que afirmava que a Russia ia invadir a Ucrânia, apresentava mapas e tudo o mais. Para parecer credível, a PsyOp preparou abaixo-assinados 'Contra a Invasão Russa', de milhares personalidades de Instituições públicas (universidades) dos vários países da NATO, que estavam prontos e assinados no próprio dia 24 de Fevereiro. A actuação dos bombardeiros dos USA não seria mais que uma acção de defesa da Ucrânia perante uma 'invasão' russa.
Assim assistimos em directo pelas TVs às 'reportagens' a partir da ilha Terceira (Base aérea dos USA em Portugal) nos Açores, e também em directo a partir de Kiev ao que parecia vir a ser algo como o que passou no bombardeamento da Yugoslávia pelos USA-NATO. A base aérea dos Açores estava repleta de aviões que previam intervir a favor de Kiev contra uma 'imaginada invasão russa'. Mas afinal a Russia já se havia antecipado e entraram pelo aeroporto de Kiev, tendo destruído muito material nos restantes - mas a 'reporter' anunciava a partir de Kiev que as tropas do regime de kiev, no aeroporto, tinham vencido as tropas russas, ao contrário do que estava a suceder, pouco depois calou-se e nunca mais voltou a falar. Nos Açores, a 'reporter' lastimava-se porque afinal ao fim da manhã do dia 24 de Fevereiro, os aviões dos USA progressivamente levantavam voo, mas viravam (para sentido Oeste) e regressavam aos USA.  
Na verdade, sabiamos pelos meios de comunicação internacionais que, bem no início de Fevereiro de 2022, uma frota russa tinha sido colocada no Atlântico para exercícios de tiro, mas estava muito próximo ou mesmo dentro da zona económica da Irlanda, cujo governo solicitou o seu afastameno mais para Oeste para não prejudicar os recursos de pesca do país. A Russia acedeu e afastou os seus navios mais para Oeste, situando-se a Norte do Açores. Como é evidente na frota de navios de guerra havia submarinos atómicos, possivelmente alguns bem perto da costa Este do continente americano. Certamente as forças russas do Báltico, do Pacífico e do Ártico, estariam também em alerta de prevensão.
Como foi noticiado, algum tempo depois de iniciada a SMO russa, um porta aviões dos USA entrou no mar báltico e, pouco tempo depois um dos submarinos nucleares russo emergiu das águas do Atlântico, bem em frente à zona militarmente mais sensivel dos USA.   
E quando o presidente dos USA esteve na Polónia, logo após o início da SMO, a Russia apresentou, pela primeira vez no conflito, uma arma hipersónica (o Kinzal), destruindo o contingente militar de uma das mais importantes bases da NATO no território da Ucrânia: Yavoriv, a 15km da fronteira com a Polónia, deixando muitas centenas de baixas (e talvez mais de 200 mortos), além da destruição de equipamentos e munições. Biden admirado comentou a incrivel velocidade do missil, pois a arrogância de superioridade dos USA não lhes permitia acreditar nos anúncios das novas armas (hipersónicas) criadas pela Russia, com anúncio e divulgação desde 2017/18. Arrogância também, muito mais parola e completamente ignorante da Comissão Europeia que, no Parlamento europeu, argumentou que a Russia buscava retirar os circuitos electrónicos das máquinas-de-lavar ocidentais para criar armamento mais capaz.
Os USA-NATO e a UE afirmaram então que seria no campo de batalha que a Russia seria destruída. Verdadeiros idiotas, pois se tal fosse possível de suceder, antes disso certamente que a Russia estaria a usar o armamento nuclear. Razão pela qual a cada momento mais sensivel do conflito, os USA e os países da UE reafirmam que não estão em guerra com a Russia, não haverá tropas da NATO no campo de batalha.
Como foi afirmado a SMO constitui uma acção militar, mas de enorme envergadura, uma 'guerra' nada como dantes, nunca houve semelhante desafio. A Russia sabe que está a lutar contra todo o aparelho militar dos USA-NATO e restantes Estados que, com Medo, fornecem tudo o que lhes é pedido (exigido), desde material militar, informação, equipamentos, logística, apoio humanitário, etc.. Os USA dirigem todas as actividades do regime de Kiev e controlam todas as acções das forças armadas nos campos de batalha, definindo os seus objectivos pelas aquisições de informação da CIA no terreno, mas sobretudo pela informação fornecida por satélite e pela força aérea USA-NATO que constantemente percorre o Mar Negro e os países vizinhos. Como é evidente conhcendo bem esta situação a Russia mantém as suas forças armadas profissionais bem preparadas e muito bem equipadas (o melhor do equipamento), e distribuídas pelos pontos chave do país e dos oceanos. E, na linha-da-frente, com cerca de 1200 a 1500 km, mantém as forças operacionais das regiões do Dombas e das suas forças que, no conjunto, serão apenas 10% ou 15% do total das suas forças armadas. Todo o restante 85% a 90%, está ou de prevenção, ou estudando, praticando, treinando...
As forças armadas de qualquer país, como fez a Russia, na actualidade, tem de ser composta por profissionais altamente qualificados, em matemática (geometrias), engenharias várias, electrónica, computação, sociologia, psicologia, medicina, etc.. Um profissional para lidar bem com os equipamentos modernos e resolver de imediato as situações (que diferem a todo omomento) tem de ser recrutado como voluntário, ingressar na profissão por vontade própria. A mobilização, serviço militar obrigatório, só faz sentido pela defesa última do território, do Povo da nação, do Estado a que cada um pertence, senão é apenas 'carne-para-canhão'. E este é o caso dos que lutam pelo regime de Kiev, porque a Ucrânia é uma manta de retalhos de várias nações, na maioria o leste e sudeste até ao Mar Negro, é Povo russo, pela História, pela língua, pela cultura, pelos valores, etc.. Quem está lutando no terreno contra a Russia, não tem valores por que lutar, não tem ânimo porque está lutando contra irmãos numa 'guerra-civil', ou está como mercenário, ou defendendo o regime nazi pelos interesses do Mundo Unipolar, pelos objectivos estratégicos dos USA, tal como os países da NATO, onde as maiorias estão vivendo num Mundo Fabuloso de Fantasia criado pelos Média do Império da Mentira.

Claro que ainda há, também importante, a questão tática-estratégica no terreno, mas essa é uma prática dos militares. Não entramos nela, os melhores generais estudam o território e as suas gentes, escolhem e definem o terreno do campo de batalha, foi o aconteceu com a definição da linha-da-frente, que não esteve, nem está exactamente nos ditos 'dentes de dragão', mas bem mais à frente ou nas laterais dos locais escolhidos como ratoeiras.
 
Como afirmámos os USA-NATO-UE ficaram derrotados (nesta guerra = SMO) quando não aceitaram a proposta russa de negociação de um Tratado de Segurança Mutua em Dezembro de 2021. Nessa aocasião a Russia já tinha a certeza da capacidade do país (militar, económica, etc.) para vencer uma guerra, que seria completamente diferente de todas as guerras anteriores - qualquer que fosse a guerra, pois os USA-NATO acabavam de ser derrotados por 'pastores com espingardas', - sem necessidade de intervenção das forças nucleares, apenas as utiliza como forças estratégicas, que são muito superiores às Ocidentais. E a maioria do novo armamento anunciado (não nuclear), o mais poderoso, ainda nem sequer foi usado na SMO, porque a situação continua a ser extremamente crítica, muito perigosa, porque o estrebuchar de um Império é semelhante a uma fera ferida. A Russia está, tem de estar prevenida contra uma loucura Ocidental.
 
Mas então... Qual é o objectivo da Guerra que os USA-NATO fazem por procuração contra a Russia?  Manter o Império (decadente), manter o Mundo Unipolar. Como? A resposta necessita maior desenvolvimento.
...porque a Questão essencial não é militar.

Repetimos, a  leitura deste artigo não dispensa a leitura de: Situação de guerra na Europa: USA-NATO-Ucrânia

Faro, 7 de Abril de 2024

Noémio Ramos


quarta-feira, 27 de março de 2024

O Neo-fascismo (Nazi) Apresenta as suas Vítimas

Não podemos encontrar outras palávras para a foto composta (pelo Jornalixo, 'Expresso', etc..):

Quem são estes boçais energúmenos. São as ferramentas últimas da política dita "Ocidental" na luta da NATO-USA-UK contra a Russia e o 'Mundo Multipolar'.

Em 22 de Março de 2024, nos arredores de Moscovo, invadiram o espaço do Concerto do grupo 'Picnic' no Crocus City Hall, mataram 140 e feriram 180 pessoas inocentes, entre famílias inteiras, homens, mulheres e crianças. Depois dirigiam-se à pressa para a Ucrânia. Diz-se que: "...onde seriam recebidos como herois."

O jornalixo português seguindo - e apenas replicando - o jornalixo-internacional, no seu próprio arrazoado apresenta estes energúmenos - no momento pagos como assalariados eventuais ao Serviço do 'Mundo Unipolar', NATO-USA-UK - como Vítimas do 'Poder Russo', não como mostrando os achaques da fuga - consequências circunstânciais - da situação que provocaram, quando com toda a urgência foram os alcançados e reagiram mal, como feras feridas na sua fuga.

Faro, 27 de Março de 2024.

Noémio Ramos

 


sábado, 16 de março de 2024

Situação de guerra na Europa: USA-NATO-Ucrânia

 
Qualquer Lider de um Estado, em cada momento de uma qualquer decisão, deve ter sempre visivelmente presente o percurso da História (política, económica, cultural, sociológica, científica, tecnológica, etc.) o processo-histórico que se desenvolveu no Planeta, pelo menos nas duas ou três últimas gerações, senão todo o desenvolvimento social e humano. No dito "Ocidente" sem estadistas, governado por desmiolados que na Europa nem se apercebem do que se passa à sua volta, e enchem as suas cabeças ocas da campanha de desinformação programada para uma guerra contra um invasor imaginário.

A derrota da NATO (USA-EU) no confronto de guerra com a Russia - conflito da Ucrânia - iniciou-se com a independência da Crimeia e a sua aderência imediata à Federação Russa em 2014, como se esclarece mais adiante. A derrota na prática consolidou-se em Dezembro de 2021. O período entre 2014 e 2021 foi um interregno longo e doloroso para as populações russas dos territórios dominados pelos governos da Ucrânia, mas foi necessário aguardar o desenvolvimento e consolidação dos novos armamentos (2017) e da logística, industria e economia necessárias a uma guerra que, por segurança se poderia prever, vir a ser feroz por parte do dito "Ocidente": NATO-USA_EU; o que veio a suceder, quando na primavera de 2022, por ordem da NATO-USA (Boris Jonhson), a Ucrânia abandonou os acordos então alcançados nas negociações de Istambul.
Assim, a derrota completa do dito "Ocidente" é uma consequência derivada do erro histórico protagonizado pelos USA-NATO-EU, ao não aceitar negociar com a Russia um acordo apresentado por proposta de Putin em finais de 2021. Uma "guerra declarada" (SMO) tornou-se inevitável. E a Russia já nesse mesmo instante estava preparada para a vencer e sabia como a ia vencer (desmilitarização, desnazificação), desde logo, a partir do momento em que apresentou a proposta de negociações (2021). Pois essa proposta (2021) só foi apresentada após a conclusão da recuperação económica, concretização das inovações cientifico-tecnológicas indispensáveis ao domínio militar da situação, e após a reestruturação das industrias de armamento e logística necessárias à defesa da Federação Russa.
 

O x da Equação de desmilitarização - de facto, conduzir para zero o armamento do dito "Ocidente" - está em que: (A) a produção e aquisição de armamento e munições pela NATO-USA-EU seja inferior à capacidade sistemática da (B) Russia em o destruir, antes mesmo de entrar em acção, de ser utilizado... Se a capacidade de destruição não for superior, a Russia terá de usar as armas estratégicas, e então, dirigidas aos objectivos centrais nos USA-EUROPA, onde quer que se encontrem. Felizmente, a Russia assegurou-se de que a sua capacidade muito certeira de destruição do armamento do dito "Ocidente" é bastante eficaz, o que permite aos povos do Planeta terem esperança de que o armamento nuclear servirá apenas de dissuasão, a não ser que os USA-NATO-EU o tentem usar primeiro.
E enquanto o dito "Ocidente", sobretudo a Europa, não der conta que caminha para a sua prórpria desmilitarização, a desnazificação prossegue com enormes custos humanos.

De momento, as cabeças ocas que nos governam imaginam que o dinheiro aos milhares de milhões, talvez por magia, se transforma de imediato em novo armamento e munições...

A guerra é uma tragédia para todos, excepto para os que dela lucram - os detentores privados das industrias de armamento. Em muito maior grau será a tragédia para os vencidos, porque será uma catástrofe tanto maior, quanto maior for o poder científico-tecnológico que vier a ser usado, e tanto quanto mais tempo perdurar a situação de guerra.
As principais vítimas da derrota são os protectorados europeus dos USA, porque a entidade dominante na NATO (os USA) se apropria contínua e progressivamente das economias, dos bens mais valiosos dos seus supostos protegidos, mesmo atraiçoando-os (energia - ex.NordStreams, industrias, agricultura, terrenos e outros recursos naturais, imobiliário, etc.). Assim - numa continuação da política actual - nos países europeus que integram a NATO, vamos assistir à apropriação de toda a sua economia pelas multinacionais dos USA++. Os agricultores (a EU já cortou os subsídios com vista ao que se segue) vão ser obrigados a vender os seus terrenos agricolas, as industrias vão ser absorvidas pelas maiores multinacionais, etc., todos sectores públicos vão ser privatizados e depois destruídos. Os actuais dirigentes e deputados europeus vão enriquecer com os contributos que receberão dos novos proprietários dos bens públicos, alguns deles terão já arrecadado parte dos seus 'benefícios' em contas especialmente criadas em países 'neutrais' ou fora de alcance dos povos que representam. Tal como sucedeu na Ucrânia e muitos outros Estados pós-sovieticos, após o colapso da USSR, e como também foi iniciado na Russia onde, depois, em grande parte, foi revertido pelos actuais dirigentes da Federação Russa.
 

É evidente para qualquer cidadão europeu com, pelo menos, uma inteligência mediana, que não será nunca do interesse da EU, dos Estados europeus em si mesmos, ou dos cidadãos da Europa, a política levada a cabo pelos dirigentes actuais da EU, nem das Nações que a compõem, pois a Europa Ocidental está a ser completamente destruída pela NATO-USA. Porque é que os povos não reagem? A resposta não é curta e será assunto para outro artigo.

A pré-ww3 iniciou-se logo após o colapso da USSR, o que para os USA foi suposto constituir uma vitória sua, e a garantia do seu domínio do Planeta, substituindo a ONU em tudo e a seu bel-prazer, ampliando e ditando "regras" consoante os seus maiores interesses políticos e económicos.
Os Estados da ex-USSR, limítrofes da Russia, passaram a ser "campos de acção" com a expansão das variadíssimas Organizações dos USA com vista a apropriar-se do seu domínio político numa perspectiva do avanço para um desmembramento da Russia em outros pequenos Estados, sempre mais fáceis de dominar. Nesse tempo, década de 1990, os USA, talvez por necedade, contavam a China como um aliado. Aliás, por absurdo que nos pareça, ainda em 2021 e 2022, a consideravam numa aliança contra a Russia, como ainda possível.
Assistimos assim às conquistas de alargamento da NATO para Leste em ondas sequênciais (1999, 2004, 2009, 2017, 2020), de um modo suave, sacudindo a cenoura pela integraçao no protectorado UE, se não pela guerra: Yugoslávia, desmembramento, bombardeamento, invasão, ocupação... Outras tentativas na Tchechénia, Geórgia, Bielorussia, Kazakistão..., hoje ainda, depois de englobar no assédio a Suécia e Filândia, para completar o cerco europeu da Russia, a NATO está procurando anexar a Arménia, Geórgia, Azerbeijão, ou mesmo a Moldávia. O cerco económico também foi tentado, mas mais depressa que o cerco militar foi destruído, embora persistam as políticas do cerco económico que mais servem aos USA para aniquilar a Europa e apoderar-se de todos os seus recursos, como referimos: energias, terrenos agricolas (apesar da luta dos agricultores, pois por mal dirigida), telecomunicações, industrias, etc..
A agudização da pré-ww3, com guerras não declaradas, tem origem no Golpe-de-Estado em Kiev, pois os povos de lingua russa não aceitaram ser dominados por golpistas nazis, opondo-se ao Golpe e declarando o seu direito de autonomia, de acordo com o direito dos povos à autodeterminação. Os povos revoltados contra o Golpe Nazi e o seu domínio decidem por votação ampla declarar independência, e no caso da Crimeia (2014), regressar ao domínio da Russia, onde a sua população mais se reconhece.
 
Mas o objectivo principal da NATO-USA, pela sua estragégia militar, desde que ocupou, de facto, a Ucrânia (2013), era instalar-se na Crimeia, dominar por completo o mar Negro antes de avançar para a Russia. Só assim poderia fazer da Turquia um activo militar da NATO. Este objectivo estratégico dos militares da NATO-USA-EU está agora mais claro que nunca.  

16 de Março de 2024

Noémio Ramos




Notícias Informais

THOMAS MANN, A MONTANHA MÁGICA

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