sábado, 16 de março de 2024

Situação de guerra na Europa: USA-NATO-Ucrânia

 
Qualquer Lider de um Estado, em cada momento de uma qualquer decisão, deve ter sempre visivelmente presente o percurso da História (política, económica, cultural, sociológica, científica, tecnológica, etc.) o processo-histórico que se desenvolveu no Planeta, pelo menos nas duas ou três últimas gerações, senão todo o desenvolvimento social e humano. No dito "Ocidente" sem estadistas, governado por desmiolados que na Europa nem se apercebem do que se passa à sua volta, e enchem as suas cabeças ocas da campanha de desinformação programada para uma guerra contra um invasor imaginário.

A derrota da NATO (USA-EU) no confronto de guerra com a Russia - conflito da Ucrânia - iniciou-se com a independência da Crimeia e a sua aderência imediata à Federação Russa em 2014, como se esclarece mais adiante. A derrota na prática consolidou-se em Dezembro de 2021. O período entre 2014 e 2021 foi um interregno longo e doloroso para as populações russas dos territórios dominados pelos governos da Ucrânia, mas foi necessário aguardar o desenvolvimento e consolidação dos novos armamentos (2017) e da logística, industria e economia necessárias a uma guerra que, por segurança se poderia prever, vir a ser feroz por parte do dito "Ocidente": NATO-USA_EU; o que veio a suceder, quando na primavera de 2022, por ordem da NATO-USA (Boris Jonhson), a Ucrânia abandonou os acordos então alcançados nas negociações de Istambul.
Assim, a derrota completa do dito "Ocidente" é uma consequência derivada do erro histórico protagonizado pelos USA-NATO-EU, ao não aceitar negociar com a Russia um acordo apresentado por proposta de Putin em finais de 2021. Uma "guerra declarada" (SMO) tornou-se inevitável. E a Russia já nesse mesmo instante estava preparada para a vencer e sabia como a ia vencer (desmilitarização, desnazificação), desde logo, a partir do momento em que apresentou a proposta de negociações (2021). Pois essa proposta (2021) só foi apresentada após a conclusão da recuperação económica, concretização das inovações cientifico-tecnológicas indispensáveis ao domínio militar da situação, e após a reestruturação das industrias de armamento e logística necessárias à defesa da Federação Russa.
 

O x da Equação de desmilitarização - de facto, conduzir para zero o armamento do dito "Ocidente" - está em que: (A) a produção e aquisição de armamento e munições pela NATO-USA-EU seja inferior à capacidade sistemática da (B) Russia em o destruir, antes mesmo de entrar em acção, de ser utilizado... Se a capacidade de destruição não for superior, a Russia terá de usar as armas estratégicas, e então, dirigidas aos objectivos centrais nos USA-EUROPA, onde quer que se encontrem. Felizmente, a Russia assegurou-se de que a sua capacidade muito certeira de destruição do armamento do dito "Ocidente" é bastante eficaz, o que permite aos povos do Planeta terem esperança de que o armamento nuclear servirá apenas de dissuasão, a não ser que os USA-NATO-EU o tentem usar primeiro.
E enquanto o dito "Ocidente", sobretudo a Europa, não der conta que caminha para a sua prórpria desmilitarização, a desnazificação prossegue com enormes custos humanos.

De momento, as cabeças ocas que nos governam imaginam que o dinheiro aos milhares de milhões, talvez por magia, se transforma de imediato em novo armamento e munições...

A guerra é uma tragédia para todos, excepto para os que dela lucram - os detentores privados das industrias de armamento. Em muito maior grau será a tragédia para os vencidos, porque será uma catástrofe tanto maior, quanto maior for o poder científico-tecnológico que vier a ser usado, e tanto quanto mais tempo perdurar a situação de guerra.
As principais vítimas da derrota são os protectorados europeus dos USA, porque a entidade dominante na NATO (os USA) se apropria contínua e progressivamente das economias, dos bens mais valiosos dos seus supostos protegidos, mesmo atraiçoando-os (energia - ex.NordStreams, industrias, agricultura, terrenos e outros recursos naturais, imobiliário, etc.). Assim - numa continuação da política actual - nos países europeus que integram a NATO, vamos assistir à apropriação de toda a sua economia pelas multinacionais dos USA++. Os agricultores (a EU já cortou os subsídios com vista ao que se segue) vão ser obrigados a vender os seus terrenos agricolas, as industrias vão ser absorvidas pelas maiores multinacionais, etc., todos sectores públicos vão ser privatizados e depois destruídos. Os actuais dirigentes e deputados europeus vão enriquecer com os contributos que receberão dos novos proprietários dos bens públicos, alguns deles terão já arrecadado parte dos seus 'benefícios' em contas especialmente criadas em países 'neutrais' ou fora de alcance dos povos que representam. Tal como sucedeu na Ucrânia e muitos outros Estados pós-sovieticos, após o colapso da USSR, e como também foi iniciado na Russia onde, depois, em grande parte, foi revertido pelos actuais dirigentes da Federação Russa.
 

É evidente para qualquer cidadão europeu com, pelo menos, uma inteligência mediana, que não será nunca do interesse da EU, dos Estados europeus em si mesmos, ou dos cidadãos da Europa, a política levada a cabo pelos dirigentes actuais da EU, nem das Nações que a compõem, pois a Europa Ocidental está a ser completamente destruída pela NATO-USA. Porque é que os povos não reagem? A resposta não é curta e será assunto para outro artigo.

A pré-ww3 iniciou-se logo após o colapso da USSR, o que para os USA foi suposto constituir uma vitória sua, e a garantia do seu domínio do Planeta, substituindo a ONU em tudo e a seu bel-prazer, ampliando e ditando "regras" consoante os seus maiores interesses políticos e económicos.
Os Estados da ex-USSR, limítrofes da Russia, passaram a ser "campos de acção" com a expansão das variadíssimas Organizações dos USA com vista a apropriar-se do seu domínio político numa perspectiva do avanço para um desmembramento da Russia em outros pequenos Estados, sempre mais fáceis de dominar. Nesse tempo, década de 1990, os USA, talvez por necedade, contavam a China como um aliado. Aliás, por absurdo que nos pareça, ainda em 2021 e 2022, a consideravam numa aliança contra a Russia, como ainda possível.
Assistimos assim às conquistas de alargamento da NATO para Leste em ondas sequênciais (1999, 2004, 2009, 2017, 2020), de um modo suave, sacudindo a cenoura pela integraçao no protectorado UE, se não pela guerra: Yugoslávia, desmembramento, bombardeamento, invasão, ocupação... Outras tentativas na Tchechénia, Geórgia, Bielorussia, Kazakistão..., hoje ainda, depois de englobar no assédio a Suécia e Filândia, para completar o cerco europeu da Russia, a NATO está procurando anexar a Arménia, Geórgia, Azerbeijão, ou mesmo a Moldávia. O cerco económico também foi tentado, mas mais depressa que o cerco militar foi destruído, embora persistam as políticas do cerco económico que mais servem aos USA para aniquilar a Europa e apoderar-se de todos os seus recursos, como referimos: energias, terrenos agricolas (apesar da luta dos agricultores, pois por mal dirigida), telecomunicações, industrias, etc..
A agudização da pré-ww3, com guerras não declaradas, tem origem no Golpe-de-Estado em Kiev, pois os povos de lingua russa não aceitaram ser dominados por golpistas nazis, opondo-se ao Golpe e declarando o seu direito de autonomia, de acordo com o direito dos povos à autodeterminação. Os povos revoltados contra o Golpe Nazi e o seu domínio decidem por votação ampla declarar independência, e no caso da Crimeia (2014), regressar ao domínio da Russia, onde a sua população mais se reconhece.
 
Mas o objectivo principal da NATO-USA, pela sua estragégia militar, desde que ocupou, de facto, a Ucrânia (2013), era instalar-se na Crimeia, dominar por completo o mar Negro antes de avançar para a Russia. Só assim poderia fazer da Turquia um activo militar da NATO. Este objectivo estratégico dos militares da NATO-USA-EU está agora mais claro que nunca.  

16 de Março de 2024

Noémio Ramos




2 comentários:

  1. É de extrema dificuldade levar os nossos concidadãos a tomarem consciência desta realidade tão complexa. O pensamento único está instalado, e a poderosíssima máquina de comunicação social, para além dos condicionamentos inerentes à própria educação, quer em sentido lato, quer em sentido escolar, condicionam toda a percepção dos acontecimentos. O diálogo com a quase totalidade das pessoas que conhecemos é um diálogo de surdos; por vezes, de surdos-mudos, porque, de tão manipulados, nem aceitam contrapor factos e argumentos aos factos e argumentos que ousamos pôr-lhes à frente.

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  2. Muito boa análise: tudo dito e mais claro nem a água.

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